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A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) publicou na 5ª edição da revista Paraná faz Ciência uma matéria sobre desenvolvimento de biodiesel através de Biomassa feito pela Universidade. 

Para ter acesso a revista completa clique aqui. Segue abaixo a matéria da Unioeste.

 

 

Energia extraída do grão
Óleo extraído do grão de soja e residual de cozinha são transformados em biodiesel

Por: Bruno Rodrigo

A produção de biocombustível é uma das formas de utilizar fontes de energia renováveis em favor da sociedade. Pensando nisso, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) desenvolve há aproximadamente três anos, o projeto “Aproveitamento da Biomassa para Geração de Energia” que realiza a extração do óleo derivado do grão de soja para transformá-lo em biodiesel, e também utiliza o óleo residual de cozinha e da própria soja para a produção deste biocombustível.

Coordenado pelo professor Reginaldo Ferreira Santos, a pesquisa acontece no Laboratório de Biocombustível da Unioeste, em parceria com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em um espaço dentro do Centro de Desenvolvimento e Difusão Tecnológico em Energias Renováveis (CDTER), localizado na Fundação Para o Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico de Cascavel (Fundetec).

O CDTER conta com uma máquina extrusora de grãos para a extração a frio de óleo e farelo. Esse procedimento tem como objetivo a caracterização e aplicação de resíduos resultantes do processo como alimento de animais e fonte de energia. Além disso trata-se de uma usina piloto para a produção experimental de biodiesel.

O projeto é desenvolvido por alunos do curso de Mestrado da Unioeste, que trabalham em várias frentes atendendo toda a cadeia produtiva do Biodiesel. Segundo o pesquisador do CDTER e aluno do Mestrado, Cristiano Fernando Lewandoski, o programa possibilita o desenvolvimento de outras pesquisas, que vão desde a produção da matéria prima até o desenvolvimento automotivo das máquinas de extração da soja. “Acredito que a parceria com a universidade, os empresários e produtores comprova e certifica a viabilidade do Biodiesel”, afirma o pesquisador exaltando a importância do uso do Biodiesel.


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TRANSFORMAÇÃO

O projeto é dividido em duas partes. A primeira consiste na extração do óleo do grão de soja que também é transformado em Biodiesel. Já a segunda é a transformação do óleo residual de cozinha em Biodiesel.

Para a produção do combustível, a soja - fornecida pelos produtores - passa por um processo de separação, em que o grão inserido resulta em dois produtos. O primeiro é o óleo de soja que é utilizado pela Unioeste para a produção do Biodiesel; e o segundo é o farelo de soja, que é devolvido aos produtores para a alimentação de animais.

“Temos parceria com alguns produtores em fase piloto. O produtor tem o grão de soja, mas não pode fornecê-lo diretamente para os animais. Ele precisa do farelo de soja. Para isso é necessária a extração do óleo da soja e, como temos a máquina, fazemos essa separação. O produtor leva o farelo e deixa o óleo para produzirmos o biodiesel, que é utilizado no aquecimento das piscinas da clínica de fisioterapia”, conta o professor Flávio Gurgacz um dos orientadores do projeto.

Para o produtor rural o retorno é satisfatório uma vez que o valor nutricional deste farelo de soja - que tem cerca de 7% de óleo - é maior do que o produto comprado no mercado. “Os animais parecem preferir esse farelo em relação a outros. Aquele que vem de fornecedores comerciais normalmente é mais seco e tem um cheiro não tão agradável, enquanto o produzido pelo projeto é mais úmido, por conta da maior quantidade de óleo, e tem cheiro melhor. Além disso, o valor nutricional é visivelmente superior” conta o produtor e engenheiro agrônomo Helmuth Bleil, que usa o farelo para a ovinocultura.

Além da matéria-prima fornecida pelos produtores rurais, o projeto também conta com o apoio da Receita Federal, que fornece soja apreendida em operações de fiscalização, para a criação do biocombustível. O grão passa pelo mesmo processo, mas o farelo é então comercializado. O dinheiro arrecadado se transforma em recurso para adquirir os demais produtos para o programa, com apoio da FUNDEP.

A outra etapa do projeto utiliza o óleo residual de cozinha como matéria-prima para a produção do biodiesel. Para conseguir arrecadar esse óleo, a Unioeste, em parceria com a Sanepar, conta com pontos de coleta, onde a população pode depositar o óleo que pretende descartar – produto que, caso seja depositado em local inadequado, pode ser prejudicial ao meio ambiente. Em média mil litros de óleo residual de fritura são acumulados a cada 120 dias. Há uma estimativa de que, a cada litro de óleo de fritura que é escoado pelas galerias pluviais, 20 mil litros de água potável são contaminados.

Além da produção do biocombustível, esse óleo também pode ser utilizado para a criação de produtos de limpeza, como sabão e detergente. Em um dia é possível produzir até 600 litros de biodiesel - número ainda pequeno, mas que consegue atender parcialmente a demanda necessária para o aquecimento das caldeiras da piscina. Segundo Professor Flávio, um dos principais problemas é a dificuldade em armazenar o biocombustível, já que o biodiesel não pode ficar estocado por um tempo muito grande.

“Como produzimos pouco, acumulamos esse biodiesel e o consumimos o mais rápido possível. Então, quando fazemos a extração, acumulamos esse óleo durante um determinado tempo, até reunir uma quantidade suficiente para transformá-lo em biodiesel, e consumimos o biocombustível no menor tempo possível. Mas o grande problema é mesmo o armazenamento, já que a utilização pode ser feita em um período de tempo que também não é muito grande”.

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MEIO AMBIENTE

O biodiesel é um dos biocombustíveis mais utilizados no mundo, sendo menos poluente do que o diesel tradicional. Proveniente de várias fontes de matéria prima, ele é formado por ésteres de ácidos graxos e ésteres alquila de ácidos carboxílicos de cadeia longa.

Apesar de também haver emissão de CO2 durante a utilização do biodiesel, estudos apontam que essa emissão é 80% menor do que a do diesel tradicional. Além disso, é um combustível renovável e que não emite gases fosseis que são prejudiciais à saúde humana. Isso faz com que o biocombustível seja uma das principais formas de preservação do meio ambiente.

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AUTOMAÇÃO

A empresa BindGalvão forneceu uma prensa extrusora industrial para o projeto, e a Siemens alguns componentes para o equipamento que auxiliam no desenvolvimento de uma parte da pesquisa que busca automatizar esse equipamento para a empresa. Além da automação outros estudos acadêmicos vêm sendo realizados com o intuito de melhorar o desempenho do equipamento para extração de óleo e produção de farelo. “Essa parceria com a Unioeste agrega muito ao produto, pois os pesquisadores conseguem valorizar o seu potencial, dando maior certificação a ele”, comenta o idealizador da máquina o empresário Paulo Roberto Galvão.

 

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